Esta nova era da fotografia digital mudou nossa relação com as imagens e principalmente mudou o modo como as registramos.
Vamos a alguns exemplos práticos: você resolveu comprar uma maquina digital e para a maioria das pessoas quanto menor a máquina, melhor. E a proporção de seus megapixels deve ser inversa, ou seja, quanto menor a máquina e maior o número de megapixels, melhor ainda. Neste ponto não levamos em consideração o que exatamente são estes megapixels...aliás esta informação permanece guardada a sete chaves sem que a maioria de nós possa entender seu de que forma eles (os megapixels) funcionam. Algumas pessoas ainda acreditam que, se a câmera tem expressivos 12 megapixels, suas imagens terão 12 mega. Ledo engano. Mas esta definição não nos cabe discutir agora.
Voltemos a você com sua máquina. A pequena notável terá bilhões de recursos e você, como bom usuário saberá mexer em 1 % delas. Mas isso não tem a menor importância se a sua máquina for daquelas que perseguem sorrisos. Depois que conheci a novidade, que dispara automaticamente quando alguém sorri, comecei a me preocupar com o surgimento de uma possível revolta de máquinas, com inteligência suficiente para gerar uma rebelião.
Então, você já equipado, parte para aquela sua tão esperada viagem de DEZ dias à Europa. Sim, eu disse DEZ DIAS de forma enfática, porque você conseguirá a proeza de, em apenas uma semana e meia, bater cerca de 1200 fotos. São 120 fotos por dia, impulso irresistível que já começa no aeroporto. O resultado desta síndrome do dedo nervoso (como alguns profissionais do ramo chamam) são fotos do céu, vários ângulos de vários monumentos públicos, fotos tiradas às escondidas dentro dos museus, rua, árvore, você com a árvore, você na rua, você em todos os restaurantes e cafés que passou, fotos dos cães nativos, e lógico, como não poderia faltar aquela foto clássica “tirei de mim mesmo” esticando o braço e fazendo poses.
Ah, a volta para casa. E surgem algumas situações. A primeira e muito comum é a de selecionar as melhores imagens para mandar para o lab. Esta proposta é como promessa de começo de ano, você jura que vai escolher, mas e o tempo para olhar, uma por uma, as 1200 imagens que você mesmo bateu?
A outra situação é a dos mais animados que criam um slideshow com as 1200 imagens e (essa é a melhor parte) resolvem mostrar para todas as visitas que aparecem na casa. São horas e horas vendo as centenas de igrejas barrocas de minas, ou mil e um jeitos de se cair enquanto esquia. Para estas pessoas, encerro com um pedido muito especial: parem com isso. Nós visitas não gostamos de ver mil imagens de férias que não foram nossas. Umas vinte imagens até vai, mais do que isso é sessão de tortura.
Se você se identificou com alguma parte deste texto, você faz parte da grande torcida que tenta se adequar aos adventos tecnológicos de uma época como a nossa, que avança tão rápido quanto um click da máquina (mas a máquina não faz mais click...isso já é outra história....)
Érica Vighi é fotografa e designer
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